25 de jun de 2009

23 de jun de 2009

Balada de um diário de bordo.





Esse é um diário de bordo diferente. É de uma cidade de luzes, uma cidade que não acaba mais, quando vista de cima. Luzinhas que parecem uma coisa muito rara, aí não existem túneis escuros. É tudo cheio de muita luz. E é por isso que é o lugar deles, porque eles também são cheios de luz. E é uma luz que sai pelos olhos. Ouço Caetano agora, vimos muito ele e os doces. A Cat Power eu ouvi, sim, quando tirei os pés do chão. Ela habita o silêncio, é a voz que grita o vazio. E é por isso que ela tem a calma dentro de si. E transparece.
Muitas coisas novas em cinco dias. Laialadaiazapatanaavemaria, ele canta agora. Um mundo visto do lado de cima é muito mais legal. O medo é só antes. O medo é a expectativa, que quando não supre, vira decepção. Todas as minhas viraram encantamento. I'm alive e vivo, muito vivo. Queria só uma daquelas exposições demais aqui, pra mim ficar olhando. Por que as coisas não se dividem? Aí, nem todo mundo se encontra no meio de tanta coisa. Aqui, a gente se encontra no meio do nada.
Gostos novos, uma boca nova e uns olhos novos. Um nome novo, também. É divertido se reinventar... mas eu nunca consigo, eu sempre rio. Não consigo olhar no fundo dos olhos quando não é de verdade.
Nossas pernas doendo era um sentido bom. Quando as pernas dóem, é sinal de que alguma coisa valeu a pena. E nesses cinco dias, muita coisa valeu a pena. É preciso muito pouco pra gente mudar o olhar. E quando chegou a hora de voltar, eu só quis morar em cima de uma nuvem. Elas são de lã, foi o que me pareceu. Alguma coisa muito consistente e aconchegante. E lá em cima, não senti nenhum medo de cair. Foi tipo um êxtase de saber que tinha muitas coisas para pensar e lembrar e me sentir bem. Nessa hora nada mais importa. A do encantamento.
E agora eu sei que nossos olhos estarão pra sempre juntos. Porque estar perto não é físico. E os nossos olhos são três. O terceiro é o da sensibilidade para achar o foco. It's a long way.

4 de jun de 2009

Ilustração por Virgílio Neto.


Voltando do aniversário do priminho, sabe, essas coisas bobas. Pegou alguns lá do canto. Balões esquecidos. Esferas coloridas flutuantes. 
Nunca acreditou em como podem ser tão leves. O ar pra ele sempre chega pesado. 
Teve um dia em que quase morreu de asma. Só quis ser um balão, pra saber levitar.
Pendurou balões em si.