30 de set de 2009



Eu não mantenho conexões com o real.

24 de set de 2009

21 de set de 2009

"Só uso a palavra para compor meus silêncios", já dizia Manoel de Barros.

20 de set de 2009

Quando abriram as portas do mundo, Mariana perdeu as dicas. Deu tiros no escuro para encontrar a direção - como os gatos e seus bigodes.

18 de set de 2009

17 de set de 2009

Mariana anda coletando aliens. Tá, eu sei que quem ler vai achar que é loucura mas não é. São de vários tamanhos. Na água, na parede, nas flores - muitos deles. Ela me conta que eles perguntam muito, sobre várias coisas, sobre como é a vida por aqui em terras firmes - sim, em terras firmes porque eles moram no nada. E aí ela sempre lhes oferece flores e um chá, sentam numa bela paisagem e conversam: Querida alien (assim em itálico porque gosto de destacar a peculiaridade destes seres), quero te contar o quanto as coisas por aqui são divertidas, você pode coletar plantas e fazer delas vários ramos ou mesmo tomar este chá que te ofereço, te digo ainda que chá não se faz só das plantas e é aí que você vê as maravilhas, mas esta vou deixar pra mais tarde, o que quero te contar mesmo é dos arco-íris e da chuva e do sol, sei que o sol também habita o nada, mas o arco-íris habita só os bobos, o problema grande é que os bobos são tão mas tão bobos que não apreciam de verdade, então fica aquela belezinha lá toda pra mim, todas aquelas cores que eu crio muitas aquarelas só com os olhos, enquanto as pessoas caminham olhando pros sapatos alheios. Alien, meu bem, você não sabe o quanto tudo isso fica divertido quando você encontra uns poucos meios aliens por aqui também, uns desabitados, quero dizer, que também habitam o nada e todos os lugares ao mesmo tempo, eles conhecem as plantas e os chás e todas as cores e juntos criamos aurora e arrebol. Minha querida alien, vem que eu quero te mostrar uma cois... alien? Você...
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Você volta aqui?

14 de set de 2009

"Você tem dúvidas a respeito da vida? Não está muito certo de que ela valha a pena? Olhe para o céu: ele está lá para você. Olhe para o rosto de cada pessoa com quem você cruzar na rua: esses rostos estão lá para você. E a própria rua, e a terra debaixo da rua, e a bola de fogo lá embaixo da terra: todas essas coisas estão lá para você. Elas estão lá para você tanto quanto para as outras pessoas. Lembre-se disso quando acordar pela manhã e pensar que não tem nada. Levante-se e vire-se para o leste. Agora celebre o céu e celebre a luz dentro de cada pessoa sob o céu. Tudo bem se tiver dúvidas. Mas celebre, celebre, celebre."
Miranda July
Meu bem, me perdoe, mas ninguém entra num jogo sem saber as regras. Nuvens de fumaça me habitam com um monte de barulhos ao fundo, como fábricas, como a cena da capa do Animals. É ruidoso mas nem é ruim. São coisas acontecendo por dentro e, lá dentro, me divirto muito. Olhando nos olhos eu sei em quem eu posso confiar. Os que olham lá no fundo, com olhos de maldade, são os mais puros. Os que sabem realmente se divertir são os que sabem o sentido das coisas. E o sentido é esse: conhecer a grande piada que é a bolha em que vivemos.
É preciso muitos alfinetes nos bolsos.

13 de set de 2009

O ser humano no seu estado mais puro será sempre feio e inconcebível. As pessoas não podem ser como são. Elas devem ser como as regras mandam. O paradoxo é que mesmo quem fez as regras, burla. E então a base não existe mais, porque as regras foram criadas pensando no grupo e não no só. As pessoas são só. As vontades e anseios são só. E todo o mundo é pó.

2 de set de 2009

Me vejo de fora agora aqui, no trabalho, ouvindo melodias lindas do maestro Duprat enquanto as pessoas olham para as suas teletelas. É como se às vezes eu pudesse sair de mim e me olhar de fora e isso nem sempre é bom. Porque aí quem é que sente? Se olha, não sente tanto. Menos ainda quando é fora de si. A gente sente melhor no escuro, sem luz ou de olhos fechados. Fechar os olhos é ficar no escuro de si mesmo? Fechar os olhos é introspecção. É por isso que quando procuramos algo acabamos sempre fechando os olhos. Seja por chorar, seja por dormir. Porque procurar é sempre sinônimo de agonia. E, quando acordamos, vivemos segundos mais plenos porque um novo dia é sempre uma sorte. Seja pelo sonho ou pelo sol. A gente sempre encontra e procura mais, procura de novo porque a gente vive de procurar. De agonias, de plenitude, de olhos fechados e de sol.